FISL6.0, último dia

Neste último dia do FISL6.0 eu comecei mesmo assistindo à palestra do Oliva. Cheguei mais ou menos no meio, mas ela estava bastante interessante e pouco a pouco a sala foi lotando. O objetivo dele foi demonstrar, usando argumentos derivados da teoria de jogos, que é melhor (no sentido de maximizar os ganhos) desenvolver software livre que proprietário. Mas ele foi além. Ele argumentou que a GNU GPL é uma licença melhor que a BSD neste mesmo sentido. Eu achei que ele estava indo muito bem até a última transparência. Pode ter sido pela falta de tempo no final, mas eu acho que ele poderia ter fechado a palestra com um gancho mais forte.

Dali fui pra palestra do Branden Robinson, que ia falar sobre o Debian. Infelizmente ele não pode vir e a palestra foi apresentada por três dos desenvolvedores Debian brasileiros. Eles não fizeram feio não. Conseguiram responder várias perguntas do público e eu até aprendi algumas coisas novas. Dentre elas, entendi o que são as CDDs (Comunity Debian Distributions) e que, por exemplo, o Kurumin e a Ubuntu não são CDDs. Comprei um CD da Debian-BR-CDD, que é a CDD mantida por eles para o Brasil. Vou testar quando chegar em casa pra ver se não seria uma alternativa interessante para o CPqD.

Depois desta chegamos àquela que foi, provavelmente, a palestra mais aguardada do FISL6.0. O Eric Raymond falando sobre “The Cathedral and the Bazaar”. Bem, ele não repetiu a palestra tão famosa, até porque, como ele mesmo disse, o público presente não devia precisar dela. Ele chamou a sua palestra de “Effective Advocacy 2”. Eu não vou conseguir lembrar de todos os detalhes, mas ele realmente sabe como contagiar o público com o seu jeito de enfatizar os finais de frase e de fazer paradas de efeito. Mas não foi só encenação. Ele realmente mostrou conteúdo. Em suma, ele procurou mostrar que pra comunidade conseguir conquistar seus objetivos ela precisa aprender a usar técnicas de marketing que são costumeiramente usadas pelas grandes corporações. Dentre elas, é preciso saber que pra “vender uma idéia” é preciso apelar para “o medo, a ganância e a vaidade” do interlocutor.

  • “Senhor de negócios, sabia que se você não usar software livre seus concorrentes usarão e deixarão você pra trás?”
  • “Senhor de negócios, sabia que usando software livre você vai economizar na produção e aumentar seus lucros?”
  • “Senhor de negócios, todos os seus concorrentes estão usando software livre e, assim, estão sendo vistos como os mais interessantes para os consumidores. Se você não se ligar, vai ficar parecendo ultrapassado.”

O ponto é que este discurso pode parecer impuro. Mas é efetivo!

Durante a palestra ele citou várias vezes a FSF e acho que causou um bom tanto de desconforto, com suas brincadeiras. Mas ele finalizou exortanto toda a comunidade para que ninguém deixe questões ideológicas ou filosóficas nos desunir, pois juntos somos mais fortes.

Ele também disse que o único risco real capaz de evitar o eventual domínio do software livre é a questão das patentes de software que podem, essencialmente, tornar o software livre ilegal. Mas afora isso, ele acha que o modelo de desenvolvimento do software livre é fundamentalmente mais eficiente que o modelo proprietário, de modo que a economia está “do nosso lado” e não há como “perder” a longo prazo. A questão então é: o que fazer pra vitória ser mais rápida de modo que nós possamos usufruí-la.

Tenho que finalizar pois vão começar as palestras da tarde.

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