A venda de licenças de software está virando um modelo de negócios obsoleto?

Segundo Bruce Perens, menos de 30% de todo o software produzido é negociado na forma de licenças. A maioria do software em uso é desenvolvido in house pelos próprios empregados da empresa que o utiliza ou sob encomenda, por uma empresa ou consultor externo que cobra pelo serviço de desenvolvimento.

Várias forças estão se alinhando para diminuir ainda mais este percentual, diminuindo a importância do modelo de negócios baseado na venda de licenças de software.

Em primeiro lugar, o número cada vez maior de computadores pessoais e de servidores que uma empresa utiliza impõe não apenas um altíssimo fator multiplicador para o custo total de licenças de software como também um alto custo para administrar a utilização legal destas licenças. Este efeito é particularmente relevante na implementação de infra-estrutura para Grid Computing. De acordo com Thomas Wailgum, a tecnologia de Grid destrói o modelo de licenciamento de software tradicional pois as aplicações em Grid não reconhecem os computadores físicos individualmente, mas consideram a agregação de milhares de computadores como um único computador virtual. O problema é prover os recursos quase ilimitados do Grid sem incorrer numa conta astronômica de licenças de software.

Outra força importante é a tendência recente de contratação de software como serviço. Quando se somam à licença do software os custos relacionados à infra-estrutura necessária para suportá-lo (computadores, rede, energia, espaço físico, etc.), os custos de depreciação, os salários da equipe técnica e os riscos de parada de serviço, fica claro como muitas vezes pode ser mais barato contratar o serviço de operação do sistema de uma empresa externa, a qual pode até mesmo oferecer um seguro contra paradas de serviço, mitigando os riscos da sua operação.

A terceira força que vem aumentando a resistência de muitas empresas em renovar seus contratos de licenciamento de software é a proliferação de produtos de software livre de qualidade igual ou superior aos seus concorrentes proprietários. Muitas empresas estão se acostumando a usar software livre sem pagar licença ou a utilizar o serviço de suporte de empresas locais, o que as leva a questionar o modelo tradicional em que além de pagar a licença é preciso ficar refém de uma única empresa para o contrato de suporte.

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