FISL8, primeiro dia

Chegamos ao prédio da FIERGS às 9h30 e havia uma cinco filas enormes para os que já haviam pagado o evento. Ficamos uma hora na fila e perdemos a primeira palestra do dia. O pior foi que o pagamento do Hugo não havia sido confirmado e ele teve que enfrentar a fila pra pagar novamente. Acabou dando certo, mas ele só conseguiu resolver o problema ao meio-dia.

Eu não trouxe o laptop pra não ficar carregando peso, mas isso dificultou o acesso à Internet. Há três ilhas de thin clients que podem ser usadas por qualquer um, mas só quando alguém desiste. Consegui usar um pela manhã e comecei a editar o relatório do dia. Mas quando fui salvar deu pau e perdi tudo. Estou recomeçando agora, no início da noite. De pé. Com gente atrás de mim, esperando.

A primeira palestra que vi foi a do Jon ‘maddog’ Hall sobre VoIP. Foi muito boa. Ele começou com a história da telefonia e terminou falando do Asterisk. Alguns pontos interessantes:

  • Links com bastante informação
  • O antigo GnomeMeeting agora se chama Ekiga e parece estar muito bom
  • O Asterisk pode ser integrado ao SugarCRM e prover funcionalidades fantásticas para atendimento a clientes.
  • Algumas empresas, ao invés de fazer VoIP passar na rede de dados existente usando QoS pra garantir banda resolver partir direto pra implantação de uma rede Ethernet dedicada. Pode sair mais barato.

O mais engraçado foi quando ele explicou por que o método de conexão por circuitos é ineficiente. Ele simulou uma conversar de um casal que ia assim:

  • Felipe
  • (pausa)
  • Priscila
  • (pausa)
  • Felipe, eu te amo
  • (pausa)
  • Eu também, Priscila.

O fato é que em cada pausa destas cabe uma Bíblia de informação!

A próxima palestra foi sobre o projeto Linux-HA, pelo Mark Bilanski, do grupo de storage da IBM. Teve pouca novidade novidade. O mais interessante foi que recentemente lançaram a versão 2.0 que suporta clusters de até 16 nós e traz uma ferramenta gráfica para administração.

Ele mencionou o fato de que o Linux-HA é suportado por quase todas as distros com exceção da Red Hat. Eu lhe perguntei a razão e ele disse que o projeto tem conversado com a RH e que provavelmente no futuro próximo a Red Hat também passará a integras o Linux-HA, sem abrir mão de sua solução própria de cluster. Ele não tinha experiência com a solução da RH pra poder compará-las.

Depois desta eu tentei assistir à palestra sobre o Zabbix, mas parece que não houve. Entrei na sobre o Gimp mas senti que não ia ser legal. Acabei parando na palestra sobre o LiVES de que eu nunca havia ouvido falar e fiquei bastante impressionado. Trata-se de um software pra edição de filmes e sons com um interface muito bacana.

A abertura foi um saco e fiquei ouvindo podcasts.

Minha idéia seria assistir à palestra sobre o LVM2 mas quando cheguei perto vi que não ia ter condições de entrar. Estava lotada. Assisti, então, à palestra do Simon Phipps sobre a liberação do Java. Ele a preparou bem e mostrou dois videos impressionantes do Richard Stallman e do Eben Moglen, ambos elogiando a Sun pela iniciativa. O Stallman disse que ” The Java trap is no more“.

O Simon apresentou uma estatística mostrando que, em termos de número de linhas de código, 26% da distribuição Debian (a maior que há) foram contribuídos diretamente pela Sun. Essa contribuição seria três vezes maior que a da IBM e cinco vezes maior que a da Red Hat. Dentre os produtos que a Sun contribuiu ele citou o OpenOffice.org, o framework de acessibilitade do Gnome (chamado Orca) e o framework de internacionalização do Mozilla.

Num comentário à parte, o Simon disse que, como cidadão britânico, pode se cadastrar para receber por email todos os pronunciamentos de todos os parlamentares britânicos. Que coisa interessante não seria implementarmos algo assim por aqui, não?

Falando em “abertura”, ele também disse que “os usuários gostam de software livre não por causa do software em si, mas porque eles conseguem trazer de volta o controle para suas próprias mãos”. Ou seja, independência de fornecedor.

Ao final, ele chamou ao palco o Bruno Souza, ex-presidente do SouJAVA, o atual e um tal de Edgar Silva, que atualmente trabalha na Red Hat, na divisão JBoss. O cara parece muito bom e vou tentar encontrá-lo pra ver se o convido para ir ao CPqD.

Depois da palestra do Simon eu pretendia assistir à palestra sobre a infra-estrutura do Google. Contudo, devido ao atraso da abertura, a palestra do Simon passou 20 minutos do horário. Além do mais, a sala onde seria a palestra do Google era uma das três que ficam no meio da muvuca que é o salão principal. Elas são muito barulhentas e eu não consegui assistir nada lá. Desisti e fiquei na sala onde estava pra ver a palestra do Keith Packard sobre o projeto X.org.

Estou bem por fora do assunto. Em 1989 eu fiz um curso sobre o X Window e cheguei a implementar uma aplicação diretamente na Xlib. Mas nestes 18 anos muita coisa aconteceu com o projeto e com a arquitetura do X. Não deu pra entender muita coisa, mas deu pra ver que a maioria dos desenvolvedores do projeto é composta por bebedores contumazes de cerveja. De vários tipos.

Pulei a palestra seguinte e fiquei o tempo todo de pé, usando um thin client pra editar o início deste relato. Voltei e assisti a parte final da palestra do Rafael Evangelista sobre as diferenças filosóficas entre os movimentos de software livre e open source. Não vi muita novidade, mas acho que tem muita gente que viu. O Rafael fez uma leitura (literal) de vários textos do Richard Stallman e do Eric Raymond pra tentar entender os princípios norteadores dos movimentos liderados por eles. O sumário executivo é que se trata de dois movimentos distintos, com motivações distintas, mas que operam sobre o mesmo objeto: o software livre. Acho que faltou ressaltar que o número de pessoas que entende a diferença é muito pequeno e que o fato de alguém usar um termo (software livre) ou outro ( open source) não significa necessariamente que esteja endossando um movimento ou outro. Na maioria das vezes trata-se simplesmente de usar o termo que se aprendeu primeiro.

Vale também ressaltar que o Rafael usou o OpenOffice.org durante a apresentação de um modo no mínimo inusitado. Como eu peguei a palestra já começada não sei se ele explicou a razão, mas o fato é que ele seguia um texto no Writer, com correção ortográfica e cartacteres invisíveis habilitados e totalmente desformatado. Ou ele teve algum problema sério com a apresentação e teve que recuperá-la em ASCII ou ele não teve tempo de montar os slides depois de ter planejado a estrutura da apresentação no Writer. De qualquer modo, ele não parecia saber usar o Writer mesmo.

Passeei um pouco pela muvuca e senti o celular tocando. Minha filha, Juliana, me ligou dizendo que tinha feito um desenho pra mim e queria saber se eu ia lá ver ou se eu preferia que ela o mandasse pra mim pelo correio… Ela queria saber se eu iria voltar amanhã… É bom saber que tem gente com saudade de nós. Principalmente quando é alguém de quem nós estamos com saudades.

A última palestra do dia foi o XI episódio da série “Sapos Piramidais”, do professor Pedro Resende, da UnB. Ele falou sobre o recente acordo entre Microsoft e Novell, dizendo que se trata de uma tática bastante inteligente e inovadora da Microsoft para tentar subverter o espírito da GPL sem infringir a letra da lei. Felizmente o acordo foi fechado antes de a GPL versão 3 estar pronta, o que está dando tempo pra FSF fazer modificações para impedir que outros acordos sejam feitos de maneira similar. Pra quem quiser entender, sugiro que leia o artigo do professor ou que ouça a palesrta do Bruce Perens sobre o assunto. O resumo da ópera é que através deste acordo a Microsoft passa a ser capaz de estorquir grandes empresas usuárias de Linux, fazendo-as pagar um “seguro” contra possíveis ações por infração de patentes.

Terminadas as palestras eu e o Hugo pedimos sugestões de churrascarias pra podermos nos empanturrar. Infelizmente, parece que estamos longe de todas as boas churrascarias. Acabamos indo na Lançador. A carne estava boa e a cerveja estava ótima. Mas eu ainda fiquei com a sensação de que deve ter coisa bem melhor nesta cidade. O maior problema é que gastamos tanto de táxi quanto de carne…

De volta ao hotel, por volta das 23h, o Hugo foi avisado que o CPqD o havia liberado para ficar num outro quarto. Parece que ele estava certo quando disse que os problemas haviam terminado depois da abertura do FISL hoje à tarde.

Tem mais amanhã.

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