O Quereres

2007-06-17

Domingão é dia de tirar o atraso do sono acumulado na semana. Se você não tem filhos, é claro. Hoje cedo (não tão cedo) a Juliana me acordou docemente, gritando:

– Quero Toddy!

Eu era o único em casa que ainda estava na cama e resolvi fazer corpo mole pra ver se alguma alma caridosa se compadecia de mim e fazia o Toddy pra ela. Mas quem já estava acordado não tinha muita razão pra se compadecer. Desconfio mesmo que o pedido da Juliana tenha sido redirecionado de outra pessoa.

Eu me fiz de morto. Eu virei pro outro lado. Mas ela não desistia. Resolvi apelar pras cócegas pra ver se ela fugia. Mas ela gostou da brincadeira e resolveu revidar. Quando as táticas de despistamento se esgotaram eu tentei uma abordagem direta e lhe perguntei:

– O que você quer?
– Quero Toddy!
– Mas eu quero ficar na cama, filha.
– Vai fazer Toddy agora!
– Filha, escuta. Você quer Toddy e o papai quer ficar na cama. Por que é que o seu querer é mais importante que o meu?
– Por… que… vo… cê… é… pai!

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Trem de pouso

2007-06-13

Esse nome nunca fez o menor sentido pra mim até o mês passado quando eu estava passeando em Belo Horizonte. É óbvio que foi coisa de mineiro. Posso até imaginar que tudo começou numa conversa:

– Omi, ocê viu a notícia do avião qui teve di posá de barriga purque os “trem” de pouso num descêru?


Saber perder

2007-06-13

Outro dia minha filha Juliana, de cinco anos, veio até mim chorosa e reclamando que seu irmão e sua prima, mais velhos, não a estavam deixando brincar com eles. Perguntei qual era a brincadeira e ela me disse que eles estavam jogando um jogo que ela não conseguia ganhar. Pensei em aproveitar a situação pra explicar pra ela algumas coisas sobre a vida:

– Escuta, filhinha. Você tem que entender que num jogo todos querem ganhar mas só um consegue. Os outros perdem mesmo.
– Mas eles não deixam eu ganhar.
– Você tem que aprender a perder.
– Eu sei perder. Eu não sei é ganhar.